Nunca antes na história deste País foi tão fácil comprar uma palacete com muitos quartos, jardins imensos e piscina de cinema no bairro do Jardim Europa, epicentro da elite de São Paulo. Para tanto, basta ter mais de R$ 15 milhões na conta bancária e saber aproveitar o momento aquecido do mercado de alto padrão.


Por Fabiano Mazzei

Mansão de Scarpa: R$ 80 milhões

Enquanto o mercado imobiliário padrão sente no estômago o soco desferido pela crise na economia brasileira, quem tem mansão para vender anda com aquela sensação de ter borboletas na barriga. 

Corretoras de São Paulo que trabalham com este perfil de imóvel cresceram cerca de 20% em 2015. Sim, você leu certo, elas cresceram na casa dos dois dígitos, índice digno de tigre asiático – antes de se tornarem dóceis gatinhos após o slowdown chinês do último ano. 

A explicação é simples: a oferta de imóveis neste padrão cresceu com a escalada da recessão, encontrando uma demanda formada por brasileiros 'dolarizados' (adoro este termo!) e grandes fortunas já consolidadas, desejosas por mobilidade patrimonial. Em outras palavras, o dono da casa quer vender porque enxerga oportunidade de rentabilizar alto sobre um passivo antigo, que muitas vezes já não atende mais às suas necessidades atuais – a família encolheu, os filhos cresceram, o bairro já não está mais tão seguro e por aí vai. 

Coberturas em São Paulo tem bom mercadoQuem paga?
   Na outra ponta do negócio, o potencial comprador é um sujeito que forrou os bolsos nos últimos anos, seja flexibilizando investimentos e/ou se dando bem no mercado de capitais. E, o melhor, fez tudo isso lastreado em dólar. Agora, com a moeda americana acima dos R$ 4, é hora de ir à forra.

Este cenário já era previsto há pelo menos cinco anos e muitas empresas do segmento correram atrás para garantir sua participação neste setor. É o caso da Lopes Consultoria de Imóveis, uma das gigantes brasileiras do ramo, com mais de 40 unidades de negócios espalhadas pelo País. Em 2012, a Lopes adquiriu a Imóvel A, uma modesta operação em São Paulo focada no nicho de alto padrão, fundada por Alexandre Villas onze anos antes. A meta da empresa, segundo o seu investor relations da Lopes, Thiago Mateus, era buscar entender e atender um outro tipo de cliente. A decisão, ao que tudo indica, foi mais do que acertada. 

Casa no Jardim América: R$ 29 milhõesCoisa de tigre
   Desde então, segundo o diretor de operações da Imóvel A, Eduardo Carvalho, vê a empresa aumentar largamente o seu faturamento total e a solidez de sua carteira. Em 2015, a agência cresceu 20% a – o mesmo percentual do ano anterior – com um faturamento na casa dos R$ 180 milhões. Para efeito de comparação, a Lopes, cujo maior volume em carteira é de imóveis na faixa dos R$ 400 mil, perdeu 30% do seu faturamento no mesmo período. 

Outra empresa que vem apostando fortemente no setor é a jovem RealtON, de Rogério Santos. Com um portfólio de produtos mais nacional, a corretora oferece aos clientes desde coberturas cinematográficas na capital paulista a ilhas paradisíacas em Angra dos Reis. Quem compra? A maior parte são os tais brasileiros ‘dolarizados’, muitos deles residindo atualmente no Exterior. 

Vista sim; vizinho não.
   Segundo Rogério, a ideia, muitas vezes, nem é a de ocupar o imóvel. Não há algo do tipo “de volta para casa” por parte do comprador. Quando muito, é um endereço no País para quando estiver visitando os parentes que ficaram aqui. Os requisitos comuns são, além da localização, a segurança e a infraestrutura de lazer. Sim, precisa estar perto do Parque do Ibirapuera, mas isso não significa que o dono fará o seu jogging matinal pelas alamedas do maior bolsão verde da cidade. 

Conde vende tudo   É uma turma que sabe o que quer e onde vai reinvestir seu dinheiro no País. E que, muitas vezes, não tem qualquer apego ao imóvel vendido ou comprado. Tem caso de cliente que adquiriu uma cobertura duplex e, por não gostar da escada em caracol, preferiu revender a fazer a reforma. Outro, um conde da alta sociedade paulistana em busca da nobreza perdida e que até já enterrou o seu Bentley no jardim (você sabe de quem estou falando), que colocou à venda sua propriedade neoclássica por R$ 80 milhões sem remorso algum por abrir mão de um pedaço da história dos seus antepassados. 

Vai durar?
   Se este crescimento é sustentável? Sim, é. Mas o ritmo deverá ser menor nos próximos anos. É um movimento sólido sim, que não tem nada de efêmero. Além do topo da pirâmide tradicional – as grandes heranças e fortunas brasileiras, sempre atuantes no mercado imobiliário de alto padrão –, o País também viu crescer uma nova classe A surgir na última década. Empresários, jovens ‘capitães’ do mercado financeiro, advogados de alta patente, médicos com contas bancarias muito ‘saudáveis’. E é esta turma quem vem ajudando a alimentar o sonho da mansão própria – ou da cobertura cinematográfica, como queira – bastante aquecido. 

Então, se você tem aí uns trocados para gastar, de preferência a partir de R$ 15 milhões, é a sua chance.

F. 

(*) Se você quiser saber mais sobre este e outros movimentos do mercado de luxo no Brasil e no Exterior, acesse o meu site: www.businessluxo.com.br 

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Fabiano Mazzei

Fabiano Mazzei é jornalista especializado em mercado de luxo, diretor e fundador do portal Business Luxo (www.businessluxo.com.br) e autor da coluna “Vamos Falar de Luxo?”.
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