Como as crises econômicas e as questões humanitárias afetam a alta costura no mundo. Este tema é fascinante para mim! Vamos entender melhor, então, como estes assuntos podem interferir nas tendências da moda global.

Por Carol Palhares

Antes de me tornar consultora de imagem e de ter sido integrante do time da Daslu, eu sempre achei que moda era moda, independente do que acontecia no mundo. #soquenão!

Para a minha surpresa e a de muita gente, o que mais afeta a moda são as tendências sociais ao redor do globo, além de questões como crises econômicas, crises sociais, causas humanitárias, problemas culturais… enfim. Quando algum assunto se torna grave ou relevante a todos os países, é bem provável que as grandes maisons já estejam se mexendo para aderir ao estilo de suas coleções algumas das características do tema em questão.
 
Como isso acontece? Você se lembra da crise da economia mundial em 2008, onde os mercados dos principais países entraram em recessão - ou, ao menos, em grande desaceleração econômica? Pois bem, aquele episódio mudou o compartimento não apenas dos consumidores - mais receosos em gastar seu dinheiro em tempos bicudos -, mas também das marcas, em sua abordagem publicitária.

As crises impactam diretamente no comportamento de consumo das pessoas e, por consequência, no seu estilo de vida. Se antes do 'terremoto' na economia americana de 2008 elas compravam três peças de roupas, durante a crise passaram a levar para casa apenas uma. No mercado, elas trocaram as compras no empório charmoso do bairro pela compra mensal em um grande supermercado onde a relação com o preço acaba por ser mais vantajosa.

Atualmente, em um Brasil sem muitas expectativas, sair gastando sem pudores fica fora dos padrões. É interessante saber que o nosso comportamento precisa também se adequar a estas circunstâncias. É de bom tom, elegante até, quando estamos entre amigos, evitar comentários ostentativos. Ter adquirido o último lançamento da Prada é ótimo para você, mas não é necessário que isso se torne um assunto na pauta dos círculos que você frequenta. 

De volta à estratégia das marcas em se adaptarem aos cenários globais, há exemplos fantásticos de criatividade e inovação na abordagem destes assuntos macroeconômicos, sociais ou humanitários - e de como eles transformam as tendências da moda. Confira!

Campanhas  de 2009:
As coleções refletiam a aflição mundial diante da super crise na economia global de 2008: cores frias e fotos com modelos em atitudes/cenas mais pesadas. O lema era:

- Não vamos vender bem, mas um pretinho básico todo mundo precisa.
- Usar tecidos menos nobres.
- Bolsa preta é item fundamental no closet de qualquer mulher. 

Campanha Chanel 2009

Campanhas  de 2013:
Marcas como a Gucci e Marc Jacobs se inspiraram no longa “Cinquenta tons de cinza”, abordando o tema da “sedução”, revelado em decotes muito abertos e cabelos em tons avermelhados que remetiam a relações perigosas: brincar com fogo, colares que lembravam coleiras e tons marcantes nas maquiagens.
Campanha Gucci 2013
Ainda em 2013, a volta do glamour promoveu o uso de tecidos requintados, a riqueza de detalhes ocultados nos anos anteriores devido a grande crise econômica desde 2008. Esta foi a aposta de Dolce Gabbanna e Chanel, por exemplo.
Desfile Dolce Gabbana 2013

Campanhas de 2015:
Padrões de beleza exagerados eram vistos desde então, até os dias de hoje. Na coleção de Inverno 2015, Miuccia trouxe para a passarela da Prada uma coleção em que ela dá um toque ácido aos doces tons pastéis e questiona a relação entre o real e falso para forjar um padrão de beleza, tendo uma música da Walt Disney como trilha sonora para lembrar como a construção desses conceitos estão implantados. É nesse momento que Miuccia traz a ideia da beleza modificada geneticamente - ou por cirurgia - acaba por ser mais bela do que a própria beleza natural.
Looks do desfile de Miuccia Prada em 2015
Campanhas 2016:
Algumas questões culturais de alguns países passaram a ser traduzidas nas passarelas de Valentino.

Campanha Valentino deste ano na Tanzânia

Funciona mais ou menos assim: para qual lado o mundo está mais inclinado? A moda, então, seguirá este caminho. O mais importante nos dias de hoje, com esta crise que o Brasil atravessa, é ter inteligência para investir naquilo que realmente vale a pena. O segredo? Ter boas peças básicas e investir em acessórios. Portanto, aposte em roupas que possam ser coordenadas com outras que você já tenha no armário - e que durarão por várias estações. Além disso, Chanel não tinha vergonha de repetir roupa. Portanto, use-as sem medo e várias vezes!

 

Carol Palhares

Carol Palhares é dona de um bom gosto e um senso estético professional únicos. Especialista em gestão de imagem, ela é formada em Arquitetura e Urbanismo, e coleciona cursos de aperfeiçoamento nas áreas de cool hunting, história da arte, moda, beleza e planejamento de coleções. No exterior, Carol estudou no Institute de La Mode e fez uma especialização em visagismo (ministrado por uma das maiores autoridades do assunto no mundo, Claude Julliard), ambos na França.

Sua atuação como gestora de imagem foca em projetos personalizados, extraindo o melhor da personalidade de pessoas e residências na hora de se criar um novo estilo, único e completo, para o cliente.


Bespoke.Life

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